Guatemala
Em sua passagem pela Guatemala, aonde chegou em
Dezembro de 1953, Che presencia a luta do recém
eleito presidente Jacob Arbenz Gúzman, liderando
um governo de cunho popular, na tentativa de realizar
reformas de base, eliminar o latifúndio e
diminuir as desigualdades sociais.
O governo Americano se opunha à
Arbenz, e através da CIA coordenou várias
ações, incluindo o apoio a grupos
paramilitares, contra o governo eleito da Guatemala,
por nao se alinhar a suas políticas para
a América Latina.
As experiências na Guatemala
são importantes na construção
de sua consciência política, lá
Che Guevara se auto define um Revolucionário
e se posiciona contra o imperialismo Americano.
Nesse meio tempo Che conhece
Hilda Gadea, com quem se casa e de cuja união
nasce sua primeira filha, Hildita.
Militância e
guerrilha
Em 1954, no México através
de Ñico López, um amigo das lutas
na Guatemala, ele conhece Raul Castro que logo o
apresentaria a seu irmão mais velho, Fidel
Castro. Este último organiza e lidera o movimento
guerrilheiro 26 de Julho, ou M26, em referência
a Jose Martí e que tem por objetivo tomar
o poder em Cuba. Guevara faz parte dos 82 homens
que partem para Cuba em 1956 com Fidel Castro e
dos quais só 12 sobreviveriam.
É durante esse ataque que
Che, o médico do grupo, larga a maleta médica
por uma caixa de munição de um companheiro
abatido, um momento que tempos depois ele iria definir
como o marco divisor na sua transição
de doutor a combatente.
Em seguida eles se instalam nas montanhas
da Sierra Maestra de onde iniciam a guerrilha contra
o ditador cubano Fulgêncio Batista, que era
apoiado pelos Estados Unidos.
Os rebeldes lentamente se fortalecem,
aumentando seu armamento e angariando apoio e o
recrutamento de muitos camponeses, intelectuais
e trabalhadores urbanos. Guevara mostra grande coragem,
talento em combate, e crueldade com os inimigos
e logo se torna um dos homens de confiança
de Fidel Castro. Guevara toma a responsabilidade
de medico revolucionario, mas em pouco tempo, foi
se tornando naturalmente líder, e seguido
pelos rebeldes.
Após a vitória dos
revolucionários em 1959, Batista exila-se
em São Domingos e instaura-se um regime comunista
em Cuba, comandado por Fidel Castro.
Governo cubano
Guevara, então braço direito de Fidel,
torna-se um dos principais dirigentes do novo estado
cubano: Embaixador, Presidente do Banco Nacional,
Ministro da Indústria. Mas rapidamente, apesar
de marxista-leninista convicto, ele opõe-se
à URSS, então principal força
de apoio ao regime cubano e é progressivamente
deixado de lado por Fidel Castro.
Che esteve oficialmente no Brasil
em abril de 1961, quando foi condecorado pelo então
Presidente Jânio Quadros com a Ordem do Cruzeiro
do Sul.
Em 1965, Guevara deixa Cuba
para propagar os ideais da revolução
cubana pelo mundo com ajuda de voluntários
de vários países latino americanos.
Retorno à guerrilha e morte
Ele parte primeiramente para o Congo,
na África (onde encontra-se com Kabila mas
em quem ele não tem confiança). Após
o fracasso dos combates no Congo, parte para a Bolívia,
onde tenta estabelecer uma base guerrilheira para
lutar pela unificação dos países
da América Latina. Mas enfrenta dificuldades
com o terreno desconhecido e em conquistar a confiança
dos camponeses. É finalmente cercado e capturado
em 8 de outubro de 1967 e executado no dia seguinte
por soldados bolivianos na aldeia de La Higuera,
possivelmente sob as ordens de agentes da CIA, agência
de inteligência norte-americana. Os boatos
que cercaram a execução de Che Guevara
levantaram dúvidas sobre a identidade real
do guerrilheiro, que utilizava documentos uruguaios
falsos. A confusão estabelecida em torno
do caso culminou no desaparecimento do seu corpo,
que só foi encontrado trinta anos depois.
Em 1997 seus restos mortais
foram encontrados por pesquisadores numa vala comum,
junto a outras ossadas, na cidade de Vallegrande,
a cerca de 50 Km de onde ocorreu a sua execução.
Sua ossada estava sem as mãos, que segundo
consta em relatos não oficiais, teriam sido
amputadas para o reconhecimento de sua identidade
logo após a sua morte. Seus restos mortais
foram transferidos para Cuba, onde em 17 de outubro
deste mesmo ano são enterrados com honrarias
de Estado na presença de membros da sua família
e do líder cubano e antigo companheiro de
revolução Fidel Castro.